Comportamento alimentar da criança de 2 anos de idade

0 Comentários // em Alimentação da Criança Eventos // 22 de novembro de 2013

Resolvi escrever um pouco sobre o comportamento alimentar típico de cada idade, a partir dos 2 anos, para ajudar aos pais a entenderem melhor seus filhos. É muito comum na minha clínica receber pais e mães de cabelo em pé por causa da alimentação das crianças e, cada vez mais, tenho visto famílias inteiras se mobilizando e mudando todo seu planejamento por causa das peculiaridades da alimentação dos filhos. Já ouvi relatos desde “Não podemos mais viajar porque nosso filho tem muitas restrições alimentares” até “Aqui em casa quem manda são as crianças. Quer comer nugget? Coma! Pelo menos não fica de barriga vazia.”

É, de fato, um assunto um tanto quanto delicado e que exige dos pais muita paciência e sabedoria para que os papéis não se invertam. Os filhos não podem ditar as regras de toda uma família e esse é um limiar importante – uma vez que o limite é ultrapassado, é difícil retomar as rédeas. Acredito que conhecer um pouco do comportamento alimentar típico de cada fase da criança irá ajudar a amenizar essa angústia que os pais sentem e, principalmente, os ajudará a respeitar as particularidades de cada fase.

Vamos, então, às crianças de 2 anos idade.

O comportamento alimentar nessa fase caracteriza-se por ser imprevisível e variável. A quantidade de alimentos ingeridos pode oscilar, sendo grande em alguns períodos e nula em outros. Caprichos podem fazer com que o alimento favorito de hoje seja inaceitável amanhã ou que um único alimento seja aceito por muitos dias seguidos. Os pais devem estar cientes das variações de apetite próprias dessa idade e não devem exagerar na ingestão de leite como compensação, nem oferecer substitutos e guloseimas entre as refeições. Farinhas também não devem ser usadas para engrossar os leites.

Um dado fisiológico de extrema importância para compreender melhor a mudança de padrão alimentar nessa fase é que a partir do segundo ano a criança passa por um processo de desaceleração da velocidade de crescimento estatural. O ganho de peso também é inferior em relação ao primeiro ano e, consequentemente, as necessidades nutricionais e o apetite são menores.

É preciso ter em mente que o corpo da criança sabe das suas necessidades e usa os mecanismos internos de fome e saciedade para determinar a quantidade de alimentos de que necessita, por isso, é importante permitir que ela controle seu consumo alimentar. Nessa idade a mãe deve respeitar as manifestações de independência da criança, ela pode aceitar ou não um determinado tipo de alimento em um dia e ter uma reação diferente em outro dia.

DICAS:

  • É necessário saber aproveitar a curiosidade natural da idade para incluir um maior número de alimentos em diferentes preparações. As crianças sentem muita satisfação em participar da preparação dos alimentos, o que as estimula a comerem.
  • Nessa idade a criança imita o comportamento dos outros, principalmente o dos pais, podendo aceitar os alimentos de acordo com o exemplo dos mesmos.
  • A criança deve aprender, desde pequena, a comer nos horários determinados pela família. As refeições e lanches devem devem ser servidos em horários fixos todos os dias, com intervalo de, no mínimo, três horas para que a criança sinta fome na próxima refeição.
  • Não se deve oferecer alimentos entre as refeições. Quando a criança recusa a refeição principal, não se deve oferecer outro alimento no lugar, nem forçá-la nem agradá-la. Neste caso, o melhor é aguardar mais meia hora e oferecer novamente a mesma refeição.
  • Se nesse período a criança não aceitar os alimentos, a refeição deverá ser encerrada e oferecido algum alimento apenas na próxima. Um grande erro é deixar a criança alimentar-se sempre que desejar, pois assim não terá apetite no momento das refeições.
  • É muito frequente a mãe, por preocupação, servir uma quantidade de alimento maior do que a criança consegue ingerir. Pratos grandes, além de não a estimularem para que coma, trazem aversão, pois ela já se satisfaz só de olhar. O tamanho das porções nos pratos deve estar de acordo com o grau de aceitação da criança. Ao final da refeição, deve-se preguntar se a criança deseja mais; se houver pedido de mais comida, é conveniente servir uma porção menor do que a primeira.
  • Diante da recusa alimentar, continue a oferecer a refeição completa e continue a oferecer todos os alimentos do prato. Somente é possível educá-los na presença dos alimentos, concorda? Sem alimentos à vista, sem educação alimentar. Caso a criança recuse todo o prato na presença de um alimento que ela rejeite, ofereça esse alimento em um pratinho separado, mas é importante que ele componha a refeição e que esteja à vista.
  • Nessa fase as crianças não aceitam novos alimentos prontamente. Para que esse comportamento possa ser modificado, é necessário que a criança prove o novo alimentos em torno de 8 a 10 vezes, mesmo que seja uma quantidade bem pequena. Somente dessa forma ela conhecerá o sabor do alimento e estabelecerá seu padrão de aceitação.
  • A aceitação dos alimentos se dá não só pela repetição à exposição, mas também pelo condicionamento social, e a família é o modelo para o desenvolvimento de preferências e hábitos alimentares. Se a família tem bons hábitos, a criança os incorpora com o passar do tempo. A criança deve ser confortavelmente acomodada à mesa junto com os outros membros da família desde o seu primeiro ano para que observe outras pessoas se alimentando.
  • O ambiente na hora da refeição deve ser calmo e tranquilo, sem televisão ligada ou quaisquer outras distrações como brincadeira e jogos. Vale contar uma boa história e relacionar o alimento recusado a um super-herói ou personagem de desenho. É necessário atenção ao que se está consumindo para que o organismo possa desencadear seus mecanismos de saciedade. O desenvolvimento do controle da fome e da saciedade é importantíssimo para prevenção da obesidade e compulsões alimentares futuras.
  • O ambiente tranquilo facilitará a confiança e o prazer da criança em se alimentar.