Comer normalmente, o que é?

0 Comentários // em Alimentação da Criança Alimentação da Gestante Alimentação do Adolescente Eventos // 22 de agosto de 2013

Essa foi, por um bom tempo, uma pergunta um tanto quanto difícil de se responder e tem estado incessantemente presente nos meus atendimentos clínicos, principalmente nos casos de sobrepeso e obesidade. Sempre suspeitei que ela tinha infinitas respostas, afinal, quando o assunto é a nossa alimentação, variáveis a serem consideradas não faltam e seria um grave erro abordá-la sob uma perspectiva engessada ou reducionista.

No entanto, um belo dia, numa pequena livraria, folheando algum livro sobre transtornos alimentares, eis que uma definição de ‘comer normalmente’ saltou aos meus olhos e muito me agradou:

“Alimentar-se normalmente é ser capaz de comer quando você está com fome e continuar comendo até você ficar satisfeito. É ser capaz de escolher as comidas que você gosta e comê-las até aproveitá-las suficientemente – e não simplesmente parar porque você acha que deveria. Alimentar-se normalmente é ser capaz de usar alguma restrição na seleção alimentar para consumir as comidas certas, mas sem ser tão restritivo a ponto de não comer as comidas prazerosas. Alimentar-se normalmente é dar permissão a você mesmo para comer às vezes porque você está feliz, triste ou chateado ou apenas porque é tão gostoso. É também deixar alguns biscoitos no prato porque você pode comer mais amanhã ou então comer mais agora porque eles têm um sabor maravilhoso quando estão frescos. Alimentar-se normalmente é comer em excesso às vezes e depois se sentir estufado e desconfortável. Também é comer menos de vez em quando, desejando ter comido mais. Alimentar-se normalmente requer um pouco do seu tempo e atenção, mas também ocupa o lugar de apenas uma área importante, entre tantas, de sua vida. Resumindo, o comer normalmente é flexível e varia em resposta a emoções, agenda, fome e proximidade com o alimento.”

A autora é a grande Ellyn Satter que, posteriormente, tive o prazer de conhecer um pouco mais do seu trabalho.

Comer normalmente, portanto, não se limita a seguir uma prescrição, ao contrário, exige uma certa flexibilidade e uma sólida confiança nos sinais internos de fome, apetite e saciedade. Também demanda uma atitude relaxada, positiva e confortável que consegue harmonizar os desejos e escolhas alimentares com as quantidades consumidas. O prazer, então, deixa de ser um covite ao exagero e passa a ser mais um temperinho para adoçar nossa vida.

Quem quiser conhecer mais sobre o trabalho da Ellyn Satter, aí vai o site: http://www.ellynsatterinstitute.org/