Semana de Atenção à Saúde e Alimentação Infantil

0 Comentários // em Alimentação da Criança Alimentação do Adolescente Eventos // 5 de março de 2016

Entre os dias 29 de março e 04 de abril, eu e vários outros especialistas nos reuniremos neste evento online e gratuito para discutirmos a alimentação infantil. Uma semana que promete transformar o modo de pensar a alimentação dos pequenos e ajudar muitas famílias a entender que comida de criança é comida de verdade.

O tema da minha palestra será: “Meu filho não come, e agora?”

Confiram a programação e se inscrevam no site: www.maesefilhosemacao.com.br

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Afinal, o que deve ter nas lancheiras das crianças?

0 Comentários // em Alimentação da Criança // 10 de junho de 2015

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Nessas últimas semanas, muita polêmica e discussão rolaram, mundo virtual afora, sobre o que as crianças devem ou não levar de lanche para a escola. Tudo começou quando a nutricionista e apresentadora Bela Gil postou uma foto da lancheira da sua filha Flor, composta por banana da terra cortada em rodelas, granola caseira, batata doce e uma garrafinha de água (uau!). Foi o suficiente para que uma infinidade de comentários indignados invadisse as redes sociais e trouxesse à tona o assunto “lanche escolar”. Pois, então, vamos falar sobre ele.

O lanche escolar é uma refeição intermediária, que serve para fornecer energia às crianças entre duas refeições maiores. Portanto, um lanche equilibrado e nutritivo garante o combustível necessário para um melhor desempenho escolar, além de fornecer nutrientes essenciais para que a criança se desenvolva e cresça adequadamente. Infelizmente, muitas famílias subestimam a importância dos lanches e acabam montando lancheiras recheadas de produtos artificiais ricos em açúcar, gorduras e aditivos químicos. Ou seja, as crianças não só são privadas do combustível necessário, como gastam suas reservas para excretar do organismo várias substâncias estranhas ao corpo. Sabem aqueles nomes estranhos que vocês mal conseguem ler nos rótulos? Pois é, eles mesmos!

Portanto, a regra de ouro para preparar o lanche ideal é que, na medida do possível, os ingredientes e as preparações sejam as mais caseiras e naturais possíveis. Ou seja, evitem, ao máximo, os lanches prontos que são vendidos em supermercados. Ao comprarem biscoitos, pães e outros produtos prontos, escolham aqueles com o menor número de ingredientes, que contenham ingredientes legíveis e com datas de validades menores, como os produtos feitos em padarias. Estes são alguns sinais de que esses produtos estão mais próximos dos caseiros. Afinal, quando preparamos biscoitos em casa, eles não levam mais de 10 ingredientes, nem ingredientes cujo nome não conseguimos ler e, muito menos, duram um mês nas estantes das nossas cozinhas, não é?

O QUE DEVE TER NA LANCHEIRA?

Para um lanchinho completo e rico em nutrientes, o importante é combinar os três grupos alimentares abaixo:

Alimentos Energéticos – ricos em carboidratos:

  • Pães;
  • Pão de queijo;
  • Tapioca (sempre que possível, enriqueça a goma da tapioca com chia – para uma colheres de sopa da goma pronta, acrescente uma colher de chá de chia);
  • Wrap;
  • Biscoitos sem recheio;
  • Cereais ou granola sem adição de açúcar;
  • Bolos caseiros simples sem recheio ou cobertura;
  • Milho cozido;
  • E, sim, batata doce cozida ou outro tubérculo da preferência da criança.

Alimentos Construtores – ricos em proteínas:

  • Queijos: minas frescal, minas padrão, mussarela de búfala, cottage, ricota, requeijão;
  • Manteiga;
  • Iogurtes;
  • Leite fermentado;
  • Leite;
  • Carnes como atum e frango desfiado para recheios de sanduíches;
  • Pastinha de grão-de-bico (húmus) ou a base de queijos.

Alimentos Reguladores – ricos em vitaminas e minerais:

  • Frutas inteiras, picadinhas ou salada de frutas;
  • Mix de frutas secas e castanhas;
  • Geleias de frutas sem adição de açúcares;
  • Sucos naturais, da polpa congelada ou sucos prontos sem adição de açúcar e aditivos químicos como conservantes, aromatizantes e corantes;
  • Água de coco;
  • Vegetais para rechear sanduíches ou mesmo em pedacinhos ou palitinhos. As crianças adoram as versões babys, como cenoura baby e tomate cereja.

QUATRO DICAS PARA UMA LANCHEIRA SAUDÁVEL:

DICA 1: Sempre que possível, preparem pães, biscoitos e bolos em casa. Quando vocês cozinham para os seus filhos, eles comem somente aquilo que vocês gostariam que eles comessem: alimentos frescos, ingredientes de qualidade e ricos em vitaminas e minerais, açúcar e sal na medida certa, gorduras boas e, o melhor, sem a adição de substâncias estranhas ao organismo da criança, como conservantes, corantes, aromatizantes, espessantes, etc. Cozinhem! Seus filhos agradecem.

DICA 2: Dêem preferência aos pães, biscoitos e bolos integrais, pois, além de serem mais nutritivos, liberam o açúcar para o sangue de forma mais lenta, ou seja, garantem o fornecimento de energia para as crianças de forma mais constante e por mais tempo. Os picos de glicose no sangue podem levar à sonolência e dificuldades de concentração.

LANCHEIRADICA 3: Os bolos são boas fontes de carboidratos, desde que preparados de maneira saudável, com menor quantidade de farinha branca, por exemplo. Parte desta pode ser substituída pela farinha de trigo integral, aveia ou biomassa de banana verde. O açúcar comum pode ser trocado pelo açúcar de coco ou pelo mascavo. Algumas receitas usam somente o açúcar das frutas para adoçar, usando, por exemplo, bananas bem maduras e docinhas e frutas secas como uvas-passas, tâmaras, damascos e ameixas.

DICA 4: Para beber, a melhor alternativa é a água. Eventualmente, um suco de frutas diluído em água pode ser enviado para acompanhar o lanche. Nesses dias, a fruta não deve ser enviada junto com suco. É importante que se encoraje o consumo da fruta in natura ao invés do suco de fruta, por conter mais fibras e liberar a frutose (açúcar da fruta) de forma mais lenta para o sangue, evitando picos sanguíneos de açúcar que, em longo prazo, estão relacionados ao desenvolvimento de diabetes tipo 2. Iogurtes, leites e água de coco podem fazer parte da lancheira. Mas, para matar a sede, sempre enviem uma garrafinha térmica com água.

O QUE NÃO DEVE FAZER PARTE DA LANCHEIRA:

Conversem com os pequenos sobre suas preferências. Reservem um momento para montar um cardápio semanal ou quinzenal junto com eles. Assim, vocês se programam e ainda podem negociar alguns itens para estimular o apetite. Tomem cuidado com alguns alimentos que, de preferência, não devem compor a lancheira:

  • Sucos prontos tipo néctar de fruta que possuem apenas de 20-30% de suco de fruta e podem conter corantes, aditivos, conservantes, grande quantidade de açúcar e sódio. Refrescos também não são boas opções, pois possuem menos que 20% de suco de fruta e podem conter grandes quantidades de açúcar e aditivos químicos.
  • Bebidas a base de soja, que além de possuírem uma grande quantidade de sódio e aditivos químicos, contêm isoflavona (substância semelhante ao hormônio feminino estrógeno) em sua composição. Ainda não sabemos os efeitos dessa substância em um sistema reprodutivo imaturo como o da criança.
  • Snacks e salgadinhos de pacote.
  • Salgados fritos ou qualquer outra preparação frita e rica em gordura.
  • Alimentos ricos em açúcares como balas, chocolates, chicletes, biscoitos recheados, achocolatados, refrigerantes, biscoitos recheados, bolos com recheios ou cobertura e outras guloseimas.

CARDÁPIO SEMANAL DE LANCHE ESCOLAR:

SEGUNDA

Suco de laranja com acerola na garrafinha térmica + Milho verde cozido + Espetinho de queijo minas frescal com tomatinhos cereja

TERÇA

Água geladinha na garrafa térmica + Salada de frutas polvilhada com lascas de amêndoas + Wrap integral com pastinha de frango desfiado, cenoura ralada e alface ou agrião baby (use requeijão para dar liga)

QUARTA

Água geladinha na garrafa térmica + Iogurte natural com mel + Espetinho de frutas (pode comer passando no iogurte, como um molho) + Bolo caseiro integral (de cacau, laranja, maçã, banana ou cenoura)

QUINTA

Água de coco (pode ser de caixinha, porém, opte pelas versões sem conservantes e aromatizantes artificiais) + Grissinis de gergelim (biscoitos em formato de palito) e húmus (pasta de grão-de-bico) para comer petiscando + Cenourinhas baby

SEXTA

Água geladinha na garrafa térmica + Iogurte com granola sem adição de açúcar (mande a granola em um saquinho ou potinho à parte) + Frutas picadas polvilhadas com uvas-passas

Cookies de banana, coco e aveia sem açúcar

0 Comentários // em Alimentação da Criança Alimentação da Gestante Alimentação da Lactante Alimentação do Adolescente Alimentação do Bebê Receitas // 6 de maio de 2015

11126725_10206592483988483_1052430077_nEsse biscoitinho é uma ótima opção para os bebês de 1 ano que estão começando a comer a comida da família e que, nem por isso, devem receber lanchinhos cheios de açúcar, gordura hidrogenada e substâncias estranhas ao organismo, como conservantes, corantes, espessantes, aromatizantes, etc.

Ao preparar biscoitos e pães em casa, assim como as outras refeições, você garante que seu filho está comendo somente aquilo que você gostaria que ele comesse: comida de verdade, cheia de ingredientes frescos e de qualidade.

Claro que essa receita vale para todas as crianças e até para os adultos. É super prática de preparar, até as mamães que não são fãs da cozinha podem se aventurar. Aí vai a receita:

INGREDIENTES:
– 5 bananas pequenas amassadas (ou 3 grandes)
– 50 ml de leite de coco
– 3 colheres de sopa de coco ralado
– 1 1/2 xícara de aveia em flocos
– 2 colheres de sopa de uvas-passas (ou ameixas secas ou tâmaras picadinhas)

MODO DE PREPARO:
Em uma tigela, misture todos os ingredientes até que fiquem bem incorporados. Molde no formato que desejar e coloque em uma assadeira em forno baixo preaquecido por 15 minutos. Fica molinho por cima e mais durinho por baixo. As crianças amam!
Duram 3 dias em pote bem fechado.

DICA DA NUTRI:
O biscoito fica bem docinho para o meu paladar e, com toda certeza, para o dos bebês também. Mas caso prefiram acrescentar um docinho, sugiro que seja o mel, melado, açúcar de coco ou açúcar mascavo, apenas 1 colher de sobremesa para esta receita. Lembrando que quanto mais açúcar ingerimos, mais nosso paladar fica condicionado e menos sentimos o sabor doce nos alimentos. É muito importante educar, desde cedo, o paladar das crianças para sabores mais naturais e suaves, como, no caso, o docinho da banana e das uvas-passas desses cookies.

Rabanada Kids

0 Comentários // em Alimentação da Criança Receitas // 22 de dezembro de 2014

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Uma receitinha das boas, com ingredientes de primeira qualidade e muito mais prática e saudável que a tradicional rabanada das festas de final de ano. As crianças vão adorar comê-las no café da manhã de Natal. Aí vai a receita:

RABANADA DE ABACAXI, COCO E MEL

  • 1 ovo
  • ½ xícara de suco de abacaxi sem açúcar
  • 2 colheres de sopa de açúcar-mascavo
  • ½ colher de chá de canela em pó
  • 8 fatias de pão integral tipo baguete
  • óleo de coco para untar
  • 2 colheres de sopa de mel
  • 2 colheres de sopa de coco ralado adoçado

Em uma tigela grande, bata o ovo, o suco de abacaxi, o açúcar e a canela, até formar uma mistura homogênea. Mergulhe as fatias de pão na mistura, envolvendo os dois lados, até ficarem encharcadas. Aqueça uma frigideira antiaderente grande em fogo médio e unte com óleo de coco. Cozinhe as fatias de pão, aos poucos, por 2 minutos de cada lado, até ficarem douradas por completo. Transfira as rabanadas para um prato, regue com o mel e salpique o coco por cima.

Geleia caseira de ameixa para constipação intestinal

0 Comentários // em Alimentação da Criança Alimentação da Gestante Alimentação da Lactante Alimentação do Adolescente Alimentação do Bebê Dicas da Nutricionista Receitas // 18 de dezembro de 2014

10833670_10205451929155325_155921616_nEssa geleia é bastante famosa entre meus pacientes que chegam até mim com queixa de intestino preso. Além de ser uma forma natural e nutritiva para tratar a constipação intestinal, ela também é bem gostosa e vai bem com iogurtes naturais, pães ou biscoitos, como recheio de bolos ou mesmo pura, como doce de colher. Para os bebês, ela pode ser acrescentada às papinhas de fruta ou pode ser dada pura, também.

Ela pode ser preparada de duas maneiras, que surtem o mesmo efeito: somente com ameixas secas ou com ameixas secas e damascos secos em proporções iguais. Depende do seu paladar ou do paladar da criança, vale testar as duas para decidir qual a preferida ou mesmo intercalar o consumo, para variar.

Recomendo que se consuma até 2 colheres de sopa cheias ao dia. Para crianças e bebês, pode-se começar a oferecer de 1 a 2 colheres de sobremesa por dia, observando aceitação, podendo aumentar para até 2 colheres de sopa. Geralmente 2 colheres de sobremesa funcionam muito bem.

Aí vai a receita com algumas fotos da que eu fiz hoje em casa somente com umas ameixas que estavam paradas na geladeira.

INGREDIENTES

- 2 xícaras de ameixas secas (ou 1 xícara de ameixas secas mais 1 xícara de damascos secos)

- Água suficiente para cobrir as frutas

- 2 pauzinhos de canela

OBS.: Na minha, usei mais temperinhos, porque gosto dela mais picante. Usei, além da canela em pau: cardamomo em pó, cravo-da-índia em pó, gengibre em pedacinhos e em pó e canela em pó. A quantidade fica a critério do paladar de vocês. Para crianças e, principalmente, bebês, recomendo usar somente a canela em pau para dar um gostinho durante o cozimento.

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MODO DE PREPARO

Levar as ameixas secas ao fogo em uma panela com água suficiente para tampar, acrescente a canela e pau e demais temperos de sua escolha. Após fervura, abaixe o fogo e deixe reduzir, até sobrar somente as ameixas já bem molinhas e desmanchando. Retire os paus da canela e bata em um processador ou liquidificador até alcançar a consistência da sua preferência.

OBS.: A que eu fiz hoje e que aparece na foto, eu não processei, apenas fui amassando com a colher durante o cozimento para formar uma geleia. Para bebês e crianças, processar aumenta a aceitação.

 

Sobre a Nutrição Pediátrica – Uma Homenagem ao Dia do Nutricionista

0 Comentários // em Alimentação da Criança Alimentação do Adolescente Alimentação do Bebê Eventos // 31 de agosto de 2014

Há alguns dias recebi um convite de uma amiga para escrever um texto, em homenagem ao dia do nutricionista, que retratasse a minha área de atuação: a nutrição pediátrica. Para mim, sempre é um prazer escrever, logo, aceitei prontamente o convite. Tirei uma manhã livre para a tarefa, sentei com um caderno na mão e comecei a pensar em como poderia organizar e condensar em um único texto todos os aspectos relacionados a um tema tão abrangente.

A verdade é que a nutrição por si só é riquíssima, falar sobre alimentação não tem fim. É tarefa de uma vida, ou mais. A nutrição infantil, por ser muito específica e por trazer uma série de aspectos que acompanham o desenvolvimento motor e psíquico da criança, assim como sua relação com o meio onde vivem e a família, abrange áreas que extrapolam a nutrição em si. Ser nutricionista pediátrica traz consigo a necessidade de entender o universo infantil na íntegra e relacioná-lo ao seu comportamento alimentar. Eis aí o desafio.

Após algumas horas pensando a respeito do tema e escrevendo minhas idéias, saiu o seguinte texto, que eu dedico à todas as nutricionistas pediátricas, aos professores e autores incríveis que me acompanham nessa jornada de aprofundamento nessa área tão linda, às mães e a às crianças que chegam até meu consultório e aos profissionais que acreditam no meu trabalho e sempre me indicam para os seus pacientes. O dia de hoje é de todos nós!

“Do primeiro ano de vida até a adolescência, mudanças significativas ocorrem na alimentação da criança. Na infância é tempo de constituir a competência alimentar, a autonomia sobre o desejo em relação aos alimentos, a escuta do próprio corpo e, também, é tempo de dar nomes e significados à comida. Nessa fase de transição, que vai da dependência à independência alimentar, as preferências e os hábitos de vida são formados, portanto, exige-se um cuidado maior com a quantidade e a qualidade da alimentação ofertada.

A nutrição pediátrica, por sua vez, transgride o cálculo das necessidades diárias de nutrientes para o crescimento e desenvolvimento adequados da criança, é papel do profissional atuante nessa área investigar a dinâmica familiar em volta da mesa, a procedência dos alimentos consumidos, assim como a sua representatividade para cada criança. Também é responsabilidade do nutricionista dar suporte à família no desenvolvimento da autonomia e competência alimentares na infância, para que as crianças possam confiar em seus sinais internos de fome, apetite e saciedade e tenham uma atitude confortável e positiva em relação à alimentação, conseguindo, assim, harmonizar seus desejos com as escolhas alimentares e as quantidades consumidas.

O grande desafio que a cultura alimentar atual traz é educar o paladar para sabores naturais. As crianças de hoje já nasceram sob a influência de uma cultura alimentar sintética que oferece produtos ricos em açúcares, gorduras e aditivos químicos que realçam ou criam novos sabores, muitas vezes, inéditos ao paladar. Praticamente tudo o que se consome atualmente não é mais, em sentido estrito, comida, e a forma como se está consumindo esses produtos – no carro, na frente da tevê ou do tablet e, cada vez mais, sozinhos – não é realmente comer, pelo menos no sentido em que a civilização entende o termo.

Com uma frequência cada vez maior, venho observando paladares infantis viciados em sabores intensos e artificiais, que não mais reconhecem o sabor natural dos alimentos. As frutas, os vegetais e os alimentos que vêm da natureza, e não da indústria, passaram, para grande parte das crianças, a ser considerados sem graça, sem gosto e sem representatividade.

É importante perceber que por mais estranhos e insustentáveis que às vezes possam parecer, os hábitos de consumo que nos distinguem fazem parte de nossas estruturas perceptivas e não podem ser cancelados, mas somente enriquecidos e renovados através de novas experiências. E esse é o papel intransferível do nutricionista: educar pelo gosto e não por fatos (“faz bem”, “é saudável”), uma vez que comida corresponde àquilo que é consumido com algum sentimento e que pode satisfazer as necessidades fisiológicas, os olhos, o nariz, a boca e o imaginário.”



Atendimento Nutricional na Barra da Tijuca

0 Comentários // em Alimentação da Criança Alimentação da Gestante Alimentação do Adolescente Alimentação do Bebê Eventos // 29 de julho de 2014

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A SÉRIE DE VÍDEOS ABAIXO FOI GRAVADA PARA O SITE AMAMENTAR É DA JORNALISTA CHRIS NICKLAS


  • Sobre o efeito protetor do leite materno:

 


  • Sobre Licença Maternidade e a alimentação do bebê com 4, 5 e 6 meses:


  • Sobre a importância do aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade:


  • Sobre como conciliar a introdução de alimentos na dieta do bebê com o aleitamento materno em livre demanda:

Comportamento alimentar da criança de 2 anos de idade

0 Comentários // em Alimentação da Criança Eventos // 22 de novembro de 2013

Resolvi escrever um pouco sobre o comportamento alimentar típico de cada idade, a partir dos 2 anos, para ajudar aos pais a entenderem melhor seus filhos. É muito comum na minha clínica receber pais e mães de cabelo em pé por causa da alimentação das crianças e, cada vez mais, tenho visto famílias inteiras se mobilizando e mudando todo seu planejamento por causa das peculiaridades da alimentação dos filhos. Já ouvi relatos desde “Não podemos mais viajar porque nosso filho tem muitas restrições alimentares” até “Aqui em casa quem manda são as crianças. Quer comer nugget? Coma! Pelo menos não fica de barriga vazia.”

É, de fato, um assunto um tanto quanto delicado e que exige dos pais muita paciência e sabedoria para que os papéis não se invertam. Os filhos não podem ditar as regras de toda uma família e esse é um limiar importante – uma vez que o limite é ultrapassado, é difícil retomar as rédeas. Acredito que conhecer um pouco do comportamento alimentar típico de cada fase da criança irá ajudar a amenizar essa angústia que os pais sentem e, principalmente, os ajudará a respeitar as particularidades de cada fase.

Vamos, então, às crianças de 2 anos idade.

O comportamento alimentar nessa fase caracteriza-se por ser imprevisível e variável. A quantidade de alimentos ingeridos pode oscilar, sendo grande em alguns períodos e nula em outros. Caprichos podem fazer com que o alimento favorito de hoje seja inaceitável amanhã ou que um único alimento seja aceito por muitos dias seguidos. Os pais devem estar cientes das variações de apetite próprias dessa idade e não devem exagerar na ingestão de leite como compensação, nem oferecer substitutos e guloseimas entre as refeições. Farinhas também não devem ser usadas para engrossar os leites.

Um dado fisiológico de extrema importância para compreender melhor a mudança de padrão alimentar nessa fase é que a partir do segundo ano a criança passa por um processo de desaceleração da velocidade de crescimento estatural. O ganho de peso também é inferior em relação ao primeiro ano e, consequentemente, as necessidades nutricionais e o apetite são menores.

É preciso ter em mente que o corpo da criança sabe das suas necessidades e usa os mecanismos internos de fome e saciedade para determinar a quantidade de alimentos de que necessita, por isso, é importante permitir que ela controle seu consumo alimentar. Nessa idade a mãe deve respeitar as manifestações de independência da criança, ela pode aceitar ou não um determinado tipo de alimento em um dia e ter uma reação diferente em outro dia.

DICAS:

  • É necessário saber aproveitar a curiosidade natural da idade para incluir um maior número de alimentos em diferentes preparações. As crianças sentem muita satisfação em participar da preparação dos alimentos, o que as estimula a comerem.
  • Nessa idade a criança imita o comportamento dos outros, principalmente o dos pais, podendo aceitar os alimentos de acordo com o exemplo dos mesmos.
  • A criança deve aprender, desde pequena, a comer nos horários determinados pela família. As refeições e lanches devem devem ser servidos em horários fixos todos os dias, com intervalo de, no mínimo, três horas para que a criança sinta fome na próxima refeição.
  • Não se deve oferecer alimentos entre as refeições. Quando a criança recusa a refeição principal, não se deve oferecer outro alimento no lugar, nem forçá-la nem agradá-la. Neste caso, o melhor é aguardar mais meia hora e oferecer novamente a mesma refeição.
  • Se nesse período a criança não aceitar os alimentos, a refeição deverá ser encerrada e oferecido algum alimento apenas na próxima. Um grande erro é deixar a criança alimentar-se sempre que desejar, pois assim não terá apetite no momento das refeições.
  • É muito frequente a mãe, por preocupação, servir uma quantidade de alimento maior do que a criança consegue ingerir. Pratos grandes, além de não a estimularem para que coma, trazem aversão, pois ela já se satisfaz só de olhar. O tamanho das porções nos pratos deve estar de acordo com o grau de aceitação da criança. Ao final da refeição, deve-se preguntar se a criança deseja mais; se houver pedido de mais comida, é conveniente servir uma porção menor do que a primeira.
  • Diante da recusa alimentar, continue a oferecer a refeição completa e continue a oferecer todos os alimentos do prato. Somente é possível educá-los na presença dos alimentos, concorda? Sem alimentos à vista, sem educação alimentar. Caso a criança recuse todo o prato na presença de um alimento que ela rejeite, ofereça esse alimento em um pratinho separado, mas é importante que ele componha a refeição e que esteja à vista.
  • Nessa fase as crianças não aceitam novos alimentos prontamente. Para que esse comportamento possa ser modificado, é necessário que a criança prove o novo alimentos em torno de 8 a 10 vezes, mesmo que seja uma quantidade bem pequena. Somente dessa forma ela conhecerá o sabor do alimento e estabelecerá seu padrão de aceitação.
  • A aceitação dos alimentos se dá não só pela repetição à exposição, mas também pelo condicionamento social, e a família é o modelo para o desenvolvimento de preferências e hábitos alimentares. Se a família tem bons hábitos, a criança os incorpora com o passar do tempo. A criança deve ser confortavelmente acomodada à mesa junto com os outros membros da família desde o seu primeiro ano para que observe outras pessoas se alimentando.
  • O ambiente na hora da refeição deve ser calmo e tranquilo, sem televisão ligada ou quaisquer outras distrações como brincadeira e jogos. Vale contar uma boa história e relacionar o alimento recusado a um super-herói ou personagem de desenho. É necessário atenção ao que se está consumindo para que o organismo possa desencadear seus mecanismos de saciedade. O desenvolvimento do controle da fome e da saciedade é importantíssimo para prevenção da obesidade e compulsões alimentares futuras.
  • O ambiente tranquilo facilitará a confiança e o prazer da criança em se alimentar.

Comer normalmente, o que é?

0 Comentários // em Alimentação da Criança Alimentação da Gestante Alimentação do Adolescente Eventos // 22 de agosto de 2013

Essa foi, por um bom tempo, uma pergunta um tanto quanto difícil de se responder e tem estado incessantemente presente nos meus atendimentos clínicos, principalmente nos casos de sobrepeso e obesidade. Sempre suspeitei que ela tinha infinitas respostas, afinal, quando o assunto é a nossa alimentação, variáveis a serem consideradas não faltam e seria um grave erro abordá-la sob uma perspectiva engessada ou reducionista.

No entanto, um belo dia, numa pequena livraria, folheando algum livro sobre transtornos alimentares, eis que uma definição de ‘comer normalmente’ saltou aos meus olhos e muito me agradou:

“Alimentar-se normalmente é ser capaz de comer quando você está com fome e continuar comendo até você ficar satisfeito. É ser capaz de escolher as comidas que você gosta e comê-las até aproveitá-las suficientemente – e não simplesmente parar porque você acha que deveria. Alimentar-se normalmente é ser capaz de usar alguma restrição na seleção alimentar para consumir as comidas certas, mas sem ser tão restritivo a ponto de não comer as comidas prazerosas. Alimentar-se normalmente é dar permissão a você mesmo para comer às vezes porque você está feliz, triste ou chateado ou apenas porque é tão gostoso. É também deixar alguns biscoitos no prato porque você pode comer mais amanhã ou então comer mais agora porque eles têm um sabor maravilhoso quando estão frescos. Alimentar-se normalmente é comer em excesso às vezes e depois se sentir estufado e desconfortável. Também é comer menos de vez em quando, desejando ter comido mais. Alimentar-se normalmente requer um pouco do seu tempo e atenção, mas também ocupa o lugar de apenas uma área importante, entre tantas, de sua vida. Resumindo, o comer normalmente é flexível e varia em resposta a emoções, agenda, fome e proximidade com o alimento.”

A autora é a grande Ellyn Satter que, posteriormente, tive o prazer de conhecer um pouco mais do seu trabalho.

Comer normalmente, portanto, não se limita a seguir uma prescrição, ao contrário, exige uma certa flexibilidade e uma sólida confiança nos sinais internos de fome, apetite e saciedade. Também demanda uma atitude relaxada, positiva e confortável que consegue harmonizar os desejos e escolhas alimentares com as quantidades consumidas. O prazer, então, deixa de ser um covite ao exagero e passa a ser mais um temperinho para adoçar nossa vida.

Quem quiser conhecer mais sobre o trabalho da Ellyn Satter, aí vai o site: http://www.ellynsatterinstitute.org/

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